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Tiago Fernandes: O formato das finais é um pau de dois bicos

As finais de Counter-Strike: Global Offensive da Superliga BITZER foram disputadas no dia 1 de Dezembro na Clickfiel Arena com as equipas de Hexagone, YNG Sharks, Defining Stars e Electronik Generation. Enquanto decorria o quarto mapa da final vencida pela a equipa dos YNG Sharks, o portal do Fraglíder esteve à conversa com o Sr. Tiago Fernandes, COO da BITZER que nos forneceu o seu ponto de vista e pensamentos sobre alguns dos problemas que a Liga encontrou, os seus objectivos e também sobre pormenores a ter em conta para futuras edições do torneio.


Chegamos a um ponto em que vimos que o mercado não estava pronto para certas regras.


 
Fraglíder: Está agora a decorrer a final da primeira edição da Superliga BITZER. Na tua opinião, o que achaste do formato que foi implementado por vós? Surtiu os efeitos desejados quando o idealizaram numa fase online com 14 jornadas e a final four offline a ser jogada apenas num dia?

Tiago Fernandes: Sim. Portanto, o nosso ponto de partida para a criação da Superliga e este formato que idealizamos em 14 jornadas foi não só de aproximar a Superliga e esta parte dos desportos electrónicos mais a um desporto tradicional, ou seja com as equipas a disputarem 7 jornadas em casa e 7 jornadas fora. Os nossos objectivos eram claros: fazer uma competição em que as equipas conseguissem manter rosters durante um certo período de tempo, neste caso a duração da Superliga. Foram 2-3 meses se contarmos com as finais offline e o que queriamos fazer era isso mesmo, promover uma maior coesão nas equipas para que houvesse estabilidade em termos do ecossistema nacional de Esports.

De certa forma esse objectivo foi conseguido, chegamos ao fim sem haver nenhuma desistência a nível de equipas - mesmo a nível de defaults, salvo erro, penso que não tivemos nenhum, fazendo da Superliga de CS:GO uma competição em que não houveram defaults ou desistências, atíngindo de forma clara esse objectivo que tinhamos delíneado. O segundo objectivo de promoção de mais competições em Portugal para que os jogadores pudessem disfrutar de mais torneios, ter uma maior actividade ao longo do ano, também foi atíngido. Entretanto, para além da Superliga também foi lançada a outra liga concorrente que trouxe mais competitividade ao mercado nacional e que eu acho positivo e era algo que fazia falta à comunidade de CS - mais competição, competição contínua e promoção de uma maior coesão entre as equipas do panorama nacional.


Muita coisa podia ser diferente. Aqui a grande equação tem a haver com dinheiro e investimento.

Fraglíder: Um dos problemas que foi reportado por alguns jogadores quando questionados relativamente ao formato foi que apreciaram bastante o formato online porque obrigava as equipas todas as semanas a competir umas com as outras, no entanto, consideraram que o evento pecou pela fase final ser jogada apenas num dia, não existindo uma outra oportunidade de competir para equipas que vem de longe fazer um jogo à melhor de 3 mapas e ser eliminadas. Que comentários faz sobre o assunto? O que achas que poderia ser mudado? O vosso objectivo inicial era fazer algo diferente ou sempre foi planeado fazer num único dia a final four?

Tiago Fernandes: Muita coisa podia ser diferente. Aqui a grande equação tem a haver com dinheiro e investimento, não só da própria BITZER como dos próprios clubes ou associações. O formato online, que eu pessoalmente não acho que seja o ideal - devem haver mais competições presenciais não só em fases finais mas também em fases regulares, não sendo isso feito por aspectos puramente económicos. Atíngimos o nosso objectivo de ter competições mais permanentes, como mencionaste, das equipas estarem habituadas a competir muito mais e a permanecerem juntas mais tempo. O nosso formato da fase final de um dia é um pau de dois bicos.

Por um lado, estamos a poupar dinheiro às equipas que apenas tem de pagar a deslocação, não precisando sequer de arranjar alojamento para um torneio de um dia. Se fosse um formato de dois dias, obrigava a um custo maior por parte das equipas. Por outro lado, eles tem aqui um dia de competição intenso, de manhã ao final do dia como estamos a assistir agora nesta primeira edição da Superliga - condensar a competição num só dia resulta em custos muito mais baixos para as associações. É sempre um caso a explorar, aprender com os erros e limar arestas para que numa próxima edição e ouvindo a comunidade, possamos mudar e melhorar juntamente com as equipas.
 

Eles tem aqui um dia de competição intenso, de manhã ao final do dia.

Fraglíder: Com base nestas duas respostas anteriores, já referiu bastantes aspectos positivos e também negativos desta primeira edição. Em suma, que aspectos queria agora destacar pela positiva e negativa e qual o ponto fulcral que poderia ser melhorado numa próxima edição?

Tiago Fernandes: Na primeira edição de uma competição, o balanço nunca é puramente positivo nem negativo. Há muita coisa para melhorar, é uma primeira edição - temos de aprender com os nossos erros. Quando lançamos a Superliga tínhamos uma ambição um pouco mais alta do que aquilo que o mercado estaria à espera, nomeadamente na questão da profissionalização e tentarmos acelerar um pouco mais esta questão da profissionalização da comunidade nacional. Chegamos a um ponto em que vimos que o mercado não estava pronto para certas regras e chocava um pouco com o poder que as equipas ainda tem de profissionalizar não só os seus rosters mas também as suas estruturas. Esse é claramente um ponto que tivemos não só de nos ajustar mas também melhorar para outras edições. Em relações a questões positivas, já respondi - termos mais competitividade, mais jogos, mais torneios para as equipas e fomentar a criação de novas equipas e também jogadores porque falta sangue novo à comunidade de CS.

Fraglíder: O que pode a comunidade Portuguesa de CS:GO esperar da BITZER para 2018?

Tiago Fernandes: Nós temos muitos planos na forja para 2018 que passam tanto por torneios ou competições online como também em LAN, mas é algo que ainda não gostaríamos de revelar por agora, depois nos próximos tempos saberão mais novidades sobre isso.







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