O que depreender do Moche XL Esports

No passado fim de semana decorreu o maior evento de Esports alguma vez visto em solo nacional e depois de dois dias repletos de emoções chega a hora de tirar conclusões.


Recordes batidos a todos os níveis

As fases finais de torneios e ligas quando realizadas offline sempre tiveram uma assistência razoável ao vivo, sempre dentro das limitações do evento em que os torneios estavam inseridos, e também as pessoas que acompanhavam através da transmissão que era realizada. 

O público português já havia dado sinais do gosto pelo CS de alto nível antes deste evento, quando em Janeiro 10 mil pessoas se juntaram à transmissão portuguesa realizada pela RTP Arena para assistir ao Boston ELEAGUE Major. Assim à entrada do Moche XL Esports haviam expectativas de grande adesão, no entanto os números superaram as expectativas.


Desde a final da MLP que as bancadas estiveram sempre bem compostas.

No final do evento foram anunciados os números provisórios do fim de semana que apontavam para 20 mil pessoas que passaram pelo Altice Arena e ainda 200 mil utilizadores únicos que assistiram às várias transmissões, onde só no stream de CS:GO foi atingido o pico de 56 mil pessoas a ver a final entre SK e Hellraisers e o stream português esteve bastanto perto dos números das finais da temporada 5 da ECS, um torneio com um total de prémios de 660 mil dólares.



Projectos de fox e mUt com trabalho pela frente

No maior palco do esports em Portugal não podiam faltar as duas maiores referências do Counter-Strike nacional, Ricardo "fox" Pacheco e Christopher "mUt" Fernandes, que se estreavam em torneios offline com as suas respectivas equipas.

A equipa de Ricardo "fox" Pacheco, os Tempo Storm, obteve um convite direto para os quartos de final da competição onde acabariam por defrontar os vencedores da Master League Portugal, o destino ditou que os adversários seriam os Vodafone Giants, outra equipa com forte presença portuguesa.


cheti esteve longe do desejado com 0.74 de rating no final do torneio.

Depois da recente entrada de Hendrik "cheti" Vallimägi para o lugar de Aitor "SOKER" Fernández e as mais recentes participações em qualificadores e torneios não terem corrido da melhor forma, fez deste torneio como uma grande oportunidade para testar as limitações da equipa.

A série entre os Tempo Storm e os Vodafone Giants começando por perder o pimeiro mapa, escolha dos Giants, por 09:16 em Overpass, mas no segundo mapa já escolha da equipa europeia estes foram capazes de dar uma resposta eficiente e empatar com um expressivo 16:02 em Mirage. Chegamos assim ao Train e os Tempo Storm foram incapazes de dar resposta e acabaram por cair por 09:16 e ficariam muito aquém das expectativas do público português.

A história de Christopher "mUt" Fernandes não passa muito ao lado da do seu compatriota dos Tempo Storm, no primeiro qualificador aberto da competição os Movistar Riders caíram frente aos OFFSET, mas no segundo qualificador conseguiram assegurar uma vaga do qualificador fechado. 

Já no qualificador fechado a equipa ibérica foi mais letal e facilmente carimbou a sua ida até Lisboa derrotando os OFFSET e de seguida a mix espanhola DTRSS . Os Movistar Riders teriam o mesmo ponto de partida dos Tempo Storm, mas teriam pela frente um adversário teoricamente mais díficil, os ex-Quantum Bellator Fire agora representado uma nova organização chamada Winstrike.


A estreia de mUt em LAN pelos Movistar Riders não foi a melhor.

A equipa já qualificada para o próximo Major em Londres não deu grandes hipóteses à equipa ibérica do jogador português e lucrou nos erros e falhas dos Movistar Riders acabando por fechar a série num 2-0 e ficando também Christopher "mUt" Fernandes a ocupar a última posição do Moche XL. 

Com estes resultados ambos projectos dos jogadores portugueses mostram o potencial que podem ter, no entanto ainda há um longo trabalho a fazer para conseguirem fazer aparecer melhores resultados.


Vodafone Giants, a nova referência Ibérica

A surpresa do torneio foi dividida entre Espanha e Portugal, os Vodafone Giants estiveram muito perto da final do Moche XL, mas infelizmente foram incapazes de finalizar a caminhada brutal que haviam iniciado desde a final da Master League Portugal no Sábado.

Em Janeiro de 2018 os Giants anunciaram a adição de Francisco "obj" Ramos e João "KillDreaM" Ferreira que se juntavam a Ricardo "rmn" Oliveira em Espanha. O inicio da época para os portugueses foi mediano onde estiveram praticamente no meio da tabela das competições em Espanha, no entanto a equipa começou a subir o rendimento e na semana do torneio em Lisboa venceram a fase regular da Superliga Orange sem qualquer derrotas.


Alm revelou-se uma peça crucial na dinâmica de equipa dos Giants.

Entretanto dá-se a troca entre Miguel "drifking" García e Alejandro "ALEX" Masanet que deu outro alento à equipa ibérica. Já em Lisboa o primeiro desafio dos Vodafone Giants foram os OFFSET, atualmente a organização portuguesa estava na frente tendo ganho 2 jogos e perdido 1, mas o jogo mais recente entre as duas equipas acabou a favor da organização espanhola e o mesmo aconteceu no Altice Arena onde os Giants levantaram o troféu e sagraram-se campeões da Master League Portugal e entravam assim para o Moche XL, onde mais tarde iriam defrontar os Tempo Storm.

A última série do dia ficou reservada então para o confronto entre Giants e Tempo Storm, um grande teste para a organização espanhola tendo em conta que de outro lado do servidor se encontravam jogadores com grande experiência em palcos deste tamanho. A equipa treinada por Ricardo "Alm" Almeida não se deixou sucumbir pela pressão e levou a melhor por 2:1, vencendo com grande categoria a equipa europeia dos Tempo Storm. 


O talento de ALEX não passou despercebido com os inúmeros clutchs que fez.

Segundo dia de competição e os Vodafone Giants eram os únicos representantes da bandeira portuguesa no Altice Arena em pleno dia 10 de Junho, frente agora a outros gigantes da scene europeia, os Hellraisers, mais uma vez a equipa não se deixa intimidar pelo adversário e começam com uma vitória a liderar a série. O sonho de ter representação portuguesa na final começava a materializar-se nas mãos dos três jogadores portugueses dentro do servidor. Os mapas que se seguiram foram uma autêntica montanha russa de emoções em que nenhuma das duas equipas queria dar o jogo por dado, mas no fim a experiência dos Hellraisers ditou que os Vodafone Giants ficariam pelo caminho.

No final do torneio as estatísticas mostram que Ricardo "rmn" Oliveira foi o jogador com mais rating da equipa dos Giants e o segundo melhor do torneio ficando apenas Fernando "fer" Alvarenga à frente, ainda assim todo o percurso da equipa ibérica fica marcado por serem uma equipa bem trabalhada e com todos os jogadores a contriubuírem para o resultado final.


O talento português não é só dentro do servidor

Desde o primeiro anúncio do evento na Lisboa Games Week que se percebeu que o Moche XL iria ser algo diferente das conhecidas edições da XL Party e seria um evento para dar as mostrar que em Portugal também se pode fazer evento de esports de grande calibre. 

Desde os primeiros instantes depois da abertura das portas que este não era então um evento qualquer principalmente com o tempo limitado de montagem de palcos e stands, uma vez que no dia 7 de Junho o Altice Arena estava ocupado com outro evento, ainda assim a organização conseguiu ter tudo montado e preparado para o Moche XL decorrer normalmente.


Archarom partilhou o palco com a CurlyDi e a mesa de analistas com Mucha e Coachi.

Quanto à produção e realização do torneio de CS:GO ficou a cargo da RTP Arena e a E2Tech. Seguindo o formato dos eventos internacionais com direito aos normais segmentos como mesa analistas, o espaço de comentário e ainda os apresentadores de palco.

A produção e realização do evento esteve muito acima da média, daquilo que são os torneios normais portugueses, desde o maior número de câmaras, que davam percepção das reações do público e jogadores, os grafismos e repetições das jogadas e ainda a informaçao dada visualmente quando as rondas terminavam com a explosão ou quando um jogador era eliminado da ronda. 


BhT- e Coontag foram um dos pares de comentadores junto com o Zorlak e Chester.

No fim de contas está demonstrado que os portugueses também dão cartas fora do servidor e facilmente Portugal está preparado para outros desafios mesmo que sejam de maior dificuldade.


O MVP do torneio foi sem dúvida o público

Como dito em cima a afluência de pessoas que se dirigiam até aos eventos onde decorriam os torneios sempre foi positiva, no entanto a capacidade dos mesmo sempre foi muito limitada. 

Agora na maior arena de Portugal, com algumas das melhores equipas do mundo, representação portuguesa, um total de prémios aliciante e acima de tudo o preço dos bilhetes para o evento terem sido bastante acessiveis, portanto não havia desculpas para ficar em casa. 


Entrada dos SK para a final no meio de um mar de gente.
 
Assim o público respondeu a tudo isto que lhes foi dado e encheu do início ao fim as bancadas do Moche XL. Conforme a confirmação de algumas das equipas participantes do evento facilmente se começou a perceber quais seriam aquelas que o público iria apoiar mais e como é normal não faltaram ovações para as principais estrelas portuguesas como Ricardo "fox" Pacheco ou Christopher "mUt" Fernandes, no entanto a irreverência dos Vodafone Giants não deixou ninguém indiferente muito menos com João "KillDreaM" Ferreira a carregar a bandeira portuguesa em pleno 10 de Junho. 

Quanto às equipas internacionais obviamente que a maioria do público apoiava a equipa brasileira dos SK e isso fez-se sentir a cada momento que estes tinham os pés no palco com palmas constantes e gritos de guerra em cada kill feita pela equipa liderada por Gabriel "Fallen" Toledo, no entanto a humildade de equipas como os Hellraisers e Winstrike também arrecadaram uns fãs e os próprios agradeceram a todos dizendo que nunca tinham jogado com um público assim.


Foram vários os cartazes de apoio vistos na arena.

Provavelmente o momento que marca o torneio será os instantes que antecedem o início da final, quando se faz entoar o hino nacional no Altice Arena, toda a gente se fez ouvir e foram momentos arrepiantes que até os jogadores envolvidos na final decidiram pegar nos seus telémoveis e gravar o momento e partilhar. 

Ao fim do dia de domingo os comentários a videos, quer filmados por jogadores ou pessoas que estavam na arena, receberam todos os mesmos comentários dizendo que eram dos melhores públicos do mundo e que o mesmo público merecia algo maior e melhor. Entre comentários de jogadores, organizadores e outras pessoas é seguro dizer que o verdadeiro MVP foi o público.


Não faltou apoio a qualquer equipa desta edição do Moche XL.
 
Enquanto se espera ou não pela vinda de outros torneios de grande escala a promessa que ficou feita para este público é que em 2019 haverá a segunda edição do Moche XL Esports!






 
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