Moche XL Esports: o fenómeno dos Esports em Portugal

Os esports em Portugal têm crescido subitamente nos últimos tempos. Para isso, contribuíram o aparecimento de organizações que deram melhores condições aos jogadores e a constante organização de eventos com torneios inseridos.

O maior evento para os amantes do Counter-Strike é o Moche XL Esports pois tem inserido em si um torneio internacional de maiores dimensões com a oportunidade dada aos portugueses de ver e entrar em contacto com jogadores estrangeiros de renome. Farei então, um resumo das duas edições do torneio e uma sugestão de equipas para a 3ª edição do evento.


Com $50,000 em prémios, a primeira edição do Moche XL Esports prometia fazer história no CS:GO português.

Na primeira edição do torneio tivemos a ilustre presença da equipa dos SK Gaming. O lineup brasileiro tinha adicionado o americano Stewie "Stewie2k" Yip há pouco tempo e precisava de ganhar confiança, vendo o torneio realizado em Portugal como o ideal para o fazer.

Tivemos a presença da equipa que continha Ricardo "fox" Pacheco nos seus quadros, os Tempo Storm. Acompanhado do experiente jogador português estavam Kevin "HS" Tarn, Christian "loWel" Antoran , Pawel "innocent" Mocek e por fim, Hendrik "cheti" Vallimägi, que se estreava com a equipa.

Os Winstrike também aceitaram o convite para o torneio da Moche XL Esports, equipa que tinha surpreendido no último torneio Major, na altura o Major Boston de 2018 organizado pela ELEAGUE. A equipa dos Hellraisers marcou igualmente presença, equipa que tinha no seu lineup jogadores como Issa "ISSA" Murad e Özgür "woxic" Eker. Já os Movistar Riders chegaram ao torneio pela via do qualificador ibérico, equipa espanhola tinha o rifler português Christopher "mUt" Fernandes no lineup.

Na final da 1ª edição da Master League Portugal disputada no evento, os Giants bateram os OFFSET para garantir a última vaga no torneio - a equipa que continha os portugueses João "KillDreaM" Ferreira, Ricardo "rmn" Oliveira, Francisco "obj" Ramos e o treinador Ricardo "Alm" Almeida.


Chamado a estar presente, o público não desiludiu e encheu os lugares definidos para ver a competição.

O torneio arrancou com o jogo entre os Movistar Riders e os Winstrike onde a equipa russa venceu por dois mapas sem resposta para marcar encontro com os SK na meia final. O outro jogo dos quartos de final era disputado entre Tempo Storm e Giants. O favoritismo estava atribuído à equipa de Ricardo "fox" Pacheco que, no entanto, acabou por ser surpreendida pela equipa ibérica. Os Giants venceram o confronto por dois mapas a um. A equipa liderada por Alejandro "ALEX" Masanet iria assim defrontar os Hellraisers por um lugar na final.

As meias finais começaram com o jogo entre SK e Winstrike num confronto que terminou com o resultado 16-7 em ambos os mapas, mirage e inferno. Os brasileiros avançavam para a final do Moche XL Esports e aguardavam pelo desfecho da outra partida para saber o seu oponente. Naquele que foi provavelmente o melhor confronto de todo o torneio, a equipa ibérica dos Giants levou a melhor no primeiro mapa, dust2, com os HellRaisers a impor-se no OT em overpass para levar a série ao terceiro mapa.

No train, a equipa europeia venceu num confronto muito equilibrado que acabou 16-13 para marcar encontro com os SK na grande final. Nesse jogo decisivo, a equipa brasileira capitaneada por Gabriel "FalleN" Toledo levou o confronto por 2-0 num cache que precisou de ir a overtime para ser finalizado e um mirage que acabou 16-10.


O conjunto dos SK foi dos mais procurados pelos fãs e venceu a primeira edição da Moche XL Esports.

Na segunda edição e com um aumento de prizepool em 50% (de $50,000 para $75,000) tivemos a presença da equipa brasileira FURIA que estava em grande forma depois de ter chegado à final da ECS. A organização dos Windigo também marcou presença, equipa búlgara que vinha de um bom começo de ano depois de vencer a WESG. Os GamerLegion aceitaram o convite naquela que primeira vez que Kévin "Ex6tenZ" Droolans, Adil "ScreaM" Benrliton, Tim "nawwk" Jonasson e Hampus "hampus" Poser competiam em Portugal.

Os BIG, que tinham adicionado Denis "denis" Howell há pouco tempo e o lineup polaco dos Virtus.pro preenchiam as últimas vagas por convite. Após duas edições perdidas na final, os OFFSET venciam pela primeira vez a Master League Portugal numa final diante dos GTZ Bulls (que tinham surpreendido ao eliminar os Giants) e seguiam para o torneio internacional da Moche XL Esports.

Virtus.pro e BIG abriram o torneio com um confronto algo surpreendente em que a equipa polaca venceu por dois mapas a zero. GamerLegion e OFFSET defrontaram-se do outro lado da seed num jogo bastante disputado em que a equipa europeia levou a melhor. O primeiro mapa foi dust2 e vencido pela equipa portuguesa. O segundo mapa da série foi Inferno onde os GamerLegion venceram em overtime por 19-16. No derradeiro e decisivo mapa a equipa liderada por Kévin "Ex6tenZ" Droolans não deu hipóteses em Overpass.

A primeira meia final colocou frente a frente a equipa dos Windigo e Virtus.pro. A equipa polaca acabou por levar o primeiro mapa, no entanto, a equipa búlgara ainda com alguma dificuldade levou os dois restantes mapas para marcar presença na grande final. Na outra meia final tivemos a estreia da FURIA contra os GamerLegion em que o favoritismo dos brasileiros acabou por não se consomar. A equipa europeia venceu por dois mapas a zero em inferno e vertigo. Na final entre Windigo e GamerLegion, a série não teve grande história num confronto em que os búlgaros venceram pacificamente por dois mapas a zero.


Os Windigo levantaram o troféu da 2ª edição da Moche XL Esports.

Analisando as equipas que compareceram na primeira edição, concluímos que a equipa que atraiu mais o público português foi a equipa dos SK e Tempo Storm. Marcou presença uma equipa russa, os Winstrike; duas equipas europeias, os Hellraisers e os Tempo Storm; uma equipa espanhola por intermédio do qualificador ibérico e uma equipa portuguesa através da MLP.

Já na segunda edição, a FURIA foi talvez a equipa mais "cabeça de cartaz" entre os convidados. Veio uma equipa europeia com o Adil "ScreaM" Benrlitom que atrai muito público, os GamerLegion; uma equipa búlgara, os Windigo; uma equipa alemã, os BIG; uma equipa polaca, os Virtus.pro e uma equipa portuguesa também ela vinda da Master League Portugal.

Os únicos denominadores comuns nas duas edições são a presença de uma equipa brasileira de renome que é facilmente percetível não só pela grande quantidade de brasileiros, mas também pela relação afetiva e de proximidade para com o povo brasileiro e as equipas brasileiras. A presença de uma equipa portuguesa é igualmente fator comum e algo que deverá certamente continuar a acontecer pelo fator público e por ser um evento português. As duas edições contaram com boas equipas europeias como Hellraisers; Windigo; BIG; Gamer Legion e ainda a equipa russa dos Winstrike.


A equipa da Red Canids conta com elementos como fnx e nak. (Foto por Red Canids)

Tendo em conta todos estas similaridades irei fazer uma sugestão de equipas que poderiam figurar da 3ª edição. Começando pelo primeiro assunto levantado, uma equipa brasileira já terá vaga no próximo Moche XL Esports, que será a vencedora da liga brasileira Clutch Circuit. O espaço para outra equipa brasileira é mais curto, ainda assim a equipa que deveria marcar presença seria a equipa dos MIBR. No entanto o calendário do quinteto capitaneado por Gabriel "FalleN" Toledo pode impedir o regresso da equipa a Portugal.

A FURIA também seriam uma boa solução ou até mesmo a equipa da Red Canids, equipa que contém Lincoln "fnx" Lau no lineup e que decerto atrairia muitos fãs portugueses ao evento. Para além disso, a equipa encontra-se em constante evolução a nível competitivo. Por fim, o conjunto dos Sharks poderiam constituir uma boa escolha por diversos fatores, contendo uma maioria de jogadores brasileiros, um treinador português e a própria organização é ela também portuguesa.

Uma equipa que particularmente gostaria de ver atuar em solo português seriam os ForZe - dentro do contexto histórico do Moche XL Esports, seriam sem dúvida uma das favoritas a levar o troféu para casa. Continuando na onda das sugestões, apresento a equipa da Dignitas que seria algo sensacional de ter presente caso se alinhassem as condições para tal. Um lineup constituído por jogadores históricos e lendário que encaminharia muitos fãs do Counter-Strike até ao recinto. O impacto de um quinteto como o da Dignitas é algo impensável, move muitas pessoas que são todos apaixonados pelo jogo.


Caso esteja disponível, o lineup atual dos Dignitas representa uma excelente e nostálgica oportunidade. (Imagem por Dignitas)

A equipa dos MAD Lions é uma equipa em exponencial crescimento e ver uma equipa dinamarquesa a competir em solo português seria algo que me agradaria. Serão uma das equipas sensação de 2020 e já começaram bem o ano ao bater algumas equipas teoricamente superiores a eles. Caso entrassem numa 3ª edição do torneio, seriam claramente uma das favoritas a levar o troféu para a Dinamarca.

Deve ser algo a manter a equipa vencedora da Master League Portugal ter vaga garantida no torneio uma vez que é uma experiência que os jogadores portugueses devem reter ao poderem jogar contra equipas que competem a nível mundial e num ritmo elevado. Dentro dos qualificadores e do que já foi feito, considero importante as equipas espanholas obterem uma oportunidade através de um qualificador ibérico. As equipas portuguesas competem muitas vezes em torneios e ligas espanholas e por isso mesmo era importante que as espanholas também viessem competir a Portugal, tal como aconteceu na 1ª edição.

Claro que seria fácil falar em convidar equipas como FaZe, Astralis, Na´Vi ou Fnatic mas foi tido em conta o prizepool e o nível das equipas que compareceram nas edições anteriores. Tive em consideração o formato que foi utilizado que dura dois dias do fim-de-semana e que se for ampliado os dias de torneio pode também ser modificado o formato do torneio e consequentemente o aumentado o número de equipas. Para finalizar, a 3ª edição da Moche XL Esports promete ser um espetáculo do qual até agora pouco se sabe, mas as novidades ainda estão por vir.


O artigo revela a visão do autor, Rafael "LeafaR" Ferreira, e não do portal onde é apresentado.




 
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