Fotografia: João Ferreira/PGL

Numa transmissão no seu canal de Twitch, Fernando “fer” Alvarenga abordou alguns tópicos sobre a sua carreira competitiva, como o tempo ao serviço da Imperial, como surgiu o projeto e o que o levou a abandonar o mesmo.

O antigo elemento da Imperial começou por abordar o porquê de ter abandonado o competitivo, afirmando que acredita que não existe idade para deixar de jogar, que enquanto os jogadores sentirem que têm nível podem e devem continuar a fazê-lo. Porém, o brasileiro acredita que grande parte dos jogadores abandona a carreira por volta dos 30 anos porque as prioridades mudam e deu o exemplo de  Jarosław “pashaBiceps” Jarząbkowski.

“Ele tinha por volta dos 32 anos. Ele é casado, tem filhos. Ele quer criar a família dele, ele tem outra prioridade agora. Mas é sem dúvida um jogador que poderia continuar a competir por muitos mais anos”, afirmou.

O brasileiro prosseguiu, abordando o seu caso em concreto, dizendo: “Eu queria muito montar este projeto, já estava a tentar há muito tempo. Quando consegui fiz tudo o que pude. Na altura, o felippe1 — dono da Imperial — estava com investimentos em criptomoeda e eu tinha algum dinheiro de lado. Eu disse-lhe que tinha algum dinheiro de lado para comprar o buyout dos jogadores e quando ele conseguisse pagava-me de volta. Com o meu dinheiro e o dele comprámos o buyout da equipa toda, começou por dizer.

“Eu quis muito fazer isto, e não me arrependo de nada. Este projeto significou muito para mim e eu dediquei-me bastante a ele. O Major da Bélgica, eu estava a jogar bem individualmente e eu queria muito aquilo como toda a equipa queria. Muita gente duvidava de mim, porque eu tinha estado parado durante algum tempo. Eu não tenho a necessidade de provar nada a ninguém, eu sabia que eu ia jogar bem, por mim e por quem estava ao meu lado” concluiu.

fer abordou ainda as dificuldades que os jogadores profissionais sentem, com ênfase nos brasileiros que moram fora do seu país. O jogador de 31 anos afirma que é muito difícil estar perto da família, ter um relacionamento com outra pessoa, e até com amigos, porque alguns jogadores profissionais não moram no Brasil, passam muito tempo fora do seu país natal e também viajam bastante para outros países, o que acaba por os deixar longe de todo o círculo social.

Com estas palavras, o brasileiro alertou a comunidade para o esforço que é necessário para quem quer chegar ao mais alto nível competitivo.

Eu cheguei à beira dos meus colegas de equipa e disse que queria estar mais perto dos meus pais. Eles têm 62 anos e estão bem de saúde, mas imaginem que eu estava lá fora e acontecia-lhes alguma coisa. Imaginem que alguém da minha família tinha falecido quando eu estava lá fora. Não tinha valido de nada para mim. Este é um dos motivos que me levou a deixar de jogar. O outro motivo foi que eu quero coisas diferentes. Quero ver o que a vida tem para mim para além do jogo afirmou o vencedor de dois Majors.

Se me aposentei? Não diria isso. Se me der vontade de voltar a jogar, eu vou voltar. Por agora estou a fazer uma pausa. Não estou a jogar em nenhuma equipa, nem tenho vontade de jogar,de momento quero divertir-me na vida”, concluiu.