Velox passou recentemente por uma reestruturação e é hoje uma equipa com mais portugueses do que estrangeiros, apesar da comunicação se manter em espanhol. Diogo “Icarus” Cruz sentou-se à mesa com o FRAGlíder para discutir a segunda metade da temporada, as mudanças na equipa e um problema que a Península Ibérica atravessa com uma determinada role.

Lê a entrevista na íntegra:

 

FRAGlíder: Que objetivos é que vocês delinearam para a MLP e a ESL Masters?

IcarusPara qualquer uma das competições, seja MLP, Retake ou ESL Masters, queremos chegar à final four. Sabemos que é difícil, estamos numa época muito competitiva, mas vamos jogo a jogo e preparamo-nos o melhor que conseguimos para cada um deles. A partir do momento que chegamos à final four, tudo pode acontecer.

Como é que olhas para os grupos em cada competição?

Nós tivemos a sorte, pelo menos eu vejo assim, de calhar num grupo da MLP que tem SAW e num da ESL que tem Movistar Riders. Primeiro, porque são jogos na fase de grupos que nos vão servir para vermos quais são os nossos maiores erros. Dá para os analisar mais facilmente, porque tanto SAW como Movistar são duas equipas muito fortes. Já é certo que vamos jogar contra Movistar e é sempre bom porque ganhamos ou percamos, vamos para os play-offs, se lá chegarmos, com outro andamento e com erros corrigidos desses jogos.

No caso de Movistar, vocês têm aqui uma pequena vingança em marcha. Eles levaram o Martinez no início da temporada, numa fase em que também tinham acabado de adicionar o shr na vossa equipa. Como é que vos afetou esta saída?

Claro que nos afetou. Há bastante gente a criticar até, eu não concordo muito, mas a realidade é que o shr teve de mudar a sua função. Era rifler e agora passou para a AWP e é óbvio que não é uma transição fácil até para ele. Sinceramente, fico mais feliz pelo Martinez do que chateado por termos de fazer estas alterações. Ele merece. Em todo o tempo que joguei com ele, sempre foi espetacular, sempre trabalhou mais do que os outros e era uma oportunidade que já merecia.

Em relação a nós, estamos a levar um dia de cada vez. Ao início, por causa da troca do shr, foi bastante complicado, porque não tínhamos um AWP assim com tanto impacto. Ele é um jogador com bastante skill e está a habituar-se mais rápido do que estava à espera.

A partir do momento que sabem da saída do Martinez, pensaram sempre em resolver o problema com alguém já da casa ou consideraram a hipótese de colocar um outro AWP na equipa?

Considerámos um AWP de raiz. Muita gente não sabe, mas o shr pediu para ser AWP. Depois de analisar as opções que tínhamos fora da equipa e algumas praccs que fizemos já com ele como AWPer, preferimos manter o shr e trazer outro rifler com grande fire power, neste caso o frezbyy.

Sentes que, de certa forma, vocês podem ter sido um pouco “condenados” a avançar com o shr para AWPer devido a uma falta de jogadores para a posição na Península Ibérica? Pelo menos a ideia que fica é que temos cada vez menos AWPers e, se calhar, cada vez menos com o nível necessário para alimentar uma equipa como a Movistar Riders.

Concordo muito mais com a segunda afirmação. Temos bastantes AWPers, mas não temos tantos com a qualidade suficiente para algumas equipas. O nível das equipas está a aumentar muito e o nível dos AWPers está a ficar para trás em comparação ao que era, por exemplo, há dois anos. Nessa altura, os AWPers jogavam normalmente muito melhor que as equipas. Toda a gente que tem a role de AWP devia dar um step up e trabalhar um bocadinho mais. A verdade é que, a nível de qualidade, não temos muitos AWPers.

Já me falaste dos vossos objetivos nestas competições, mas e internacionalmente? Há objetivos definidos?

Em relação à ESEA, infelizmente descemos da Advanced para a Main. Podia estar aqui a dar mil desculpas, da comunicação e isso, mas a verdade é que todos os jogos equilibrados que perdemos, foram 90% jogos que dava para ter ganho e nós vacilámos em rondas importantes. Agora não há nada a fazer, é focar na próxima season e voltar a subir para a Advanced, que na minha opinião é o nível onde merecemos estar. Em relação a outros torneios, vamos participar nos qualificadores e tentar fazer o nosso melhor. Como disse no início, é jogo a jogo. Sabemos que temos a skill para jogar lá fora, mas temos que trabalhar muito a nível de nos conhecermos mais e de saber o que fazer dependendo do que o nosso colega está a fazer.

Já conseguiram corrigir parte destes problemas todos para estas competições?

Depois da ESEA, tirámos um dia de folga e voltámos agora a treinar. Temos sensivelmente uma semana até aos jogos da MLP e a verdade é que estamos a usá-la para rever a map pool e adicionar alguns mapas novos. No início da equipa, vínhamos com a ideia dos mapas que funcionavam melhor com o lineup antigo e a verdade é que temos dois jogadores novos. Posso dizer que os mapas que jogamos melhor e os que preferimos variam um pouco. Ainda estamos a tentar encontrar os melhores mapas para nós. Mas, até agora, está a correr tudo muito melhor do que estava na ESEA. Vamos ver quando começarem os jogos oficiais.

 

A Velox estreia-se na MLP já esta quarta-feira. A equipa mede forças com a Fourteen.