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Fotografia: BLAST Premier

Liquid anunciou que vai doar metade do valor que levar para casa na BLAST Premier: World Final 2022 a uma organização que defende os direitos LGBTQI+. A organização emitiu um comunicado nas redes sociais onde procurou explicar a sua posição em relação aos recentes eventos de esports na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos — onde decorre o último evento do ano do circuito BLAST –, nos quais participou.

Em primeira instância, a organização reconheceu que trabalhar com os governos em questão vai contra os seus próprios valores. No entanto, para justificar a participação em torneios nestas regiões, a Liquid apontou às oportunidades para os seus jogadores, “muitos dos quais que podem vir a ter curtas carreiras e com poucas garantias”, e também à sustentabilidade da organização. “A Team Liquid é obrigada a competir nestes eventos para se manter em alguns esports”, pode ler-se.

Para além disso, a organização recordou que é parte do Acordo de Louvre ao lado da ESL, que foi adquirida pelo grupo saudita Savvy Gaming Group. Apresentados todos estes factos e argumentos para a posição que toma, a Liquid revelou depois aquilo que vai fazer no imediato.

Para começar, o emblema norte-americano anunciou que vai doar $22,500 diretamente dos seus próprios fundos à Rainbow Railroad, uma organização canadiana que procura ajudar as pessoas integrantes da comunidade LGBTQI+ a escapar à violência e à perseguição nos seus países de origem. Este valor, segundo a Liquid, representa 50% do que a mesma arrecadou nos recentes eventos realizados na Arábia Saudita.

No que diz respeito à BLAST Premier: World Final 2022, que se joga em Abu Dhabi, a fórmula mantém-se. A organização vai fazer nova doação diretamente dos seus fundos e equivalente a 50% do que conseguir ganhar no torneio. Uma vez mais, a Rainbow Railroad será a recompensada por este gesto.

Para além das doações, a Liquid anunciou que vai trabalhar de perto com a BLAST para garantir a segurança de jogadores e staff, independentemente do seu género ou de como se identificam. Esta medida aplica-se também à relação da organização com a ESL e com as restantes equipas do Acordo de Louvre, sendo que a Liquid prometeu ainda continuar a trabalhar com a organizadora de torneios para dar seguimento e até mesmo aumentar as iniciativas para a comunidade LGBTQI+ e para as mulheres nos esports, bem como proteger os dados dos jogadores na FPL e na ESEA.