A Cloud9 regressou em abril ao cenário competitivo de CS:GO, depois de mais de um ano de ausência. Após o falhanço do projeto Colossus, a organização fez uma pausa na modalidade e viu na oportunidade de adquirir o lineup da Gambit o cenário perfeito para regressar. Em entrevista à HLTV, Jack Etienne, CEO da organização, falou sobre o processo e também do passado.

Para começar, Etienne afirmou de imediato que “nunca quis abandonar” o CS:GO. “Estive sempre à procura de uma oportunidade e, com a forma como as coisas estavam na América do Norte, não sabia quando ela ia surgir”, acrescentou.

A chance surgiu através da ULTI Agency, que propôs a Etienne a contratação do lineup da Gambit, que procurava uma nova casa após o início da invasão russa à Ucrânia. “Estava interessado, mas não estava totalmente pronto para me comprometer”, afirmou o CEO da C9. O fator desbloqueador surgiu pouco depois e dá pelo nome de Konstantin “groove” Pikiner.

“Apercebi-me de que o groove ainda era o treinador da equipa. Liguei-lhe e perguntei se também estava a bordo desta ideia, ao que ele disse que sim. Foi o fator desbloqueador. Perguntei-lhe se queria juntar-se à Cloud9 para o longo prazo e ele disse que esteve com três equipas em 23 anos e que gostava que a Cloud9 fosse a última. Decidi que íamos fazer isto acontecer. Eu sei que ele vai fazer a equipa funcionar no longo prazo e eu quero investir no longo prazo sempre que abordo uma equipa”, afirmou Jack Etienne.

Contestação pública não foi problema

O facto de avançar para a contratação de um lineup russo numa altura em que o referido país invade outro poderia gerar alguma controvérsia em torno da Cloud9. Etienne disse que quando vê “jogadores que adoram o que fazem, não se olha à bandeira no passaporte”, mas reconheceu que teve que se sentar com a equipa jurídica para discutir todos os cenários.

No final, a negociação avançou e a contestação pública não era problema. “Vão haver pessoas chateadas e eu percebo. Mas também pensei na onda de apoio que ia haver para estes jogadores. Os jogadores não têm de ser reféns da política do país de onde vêm. Foi assim que imaginei que poderiam ser recebidos. De vez em quando tenho razão e, felizmente, esta foi uma dessas vezes”, explicou.

Flashpoint, uma vítima da pandemia

O tema da Flashpoint também foi abordado por Jack Etienne ao longo da entrevista. Numa altura em que o projeto caiu por terra, o CEO da Cloud9, uma das organizações fundadoras, colocou uma grande parte da culpa na pandemia de Covid-19.

“Sinto que a Flashpoint foi mais uma vítima da pandemia. Podia ter sido algo realmente fantástico, mas simplesmente não conseguiu sobreviver, como muitos outros negócios. Toda a liga foi planeada em torno de eventos realizados em LAN, o que não aconteceu durante dois anos”, afirmou Etienne. O dirigente da C9 acrescentou ainda que se arrepende de ter investido tanto dinheiro no projeto, mas também não acha que se possa atribuir as culpas a alguém por considerar que o projeto ia ter sucesso antes da pandemia aparecer.

Podes ler a entrevista na íntegra aqui.