Phatt: "O ForYou não encaixava na equipa"

Com uma comunidade a crescer, os jogadores e equipas do topo vão lentamente sendo descobertos e conquistando títulos, tanto dentro de Portugal como fora. Um desses jogadores é Alexandre "Phatt" Silva, membro dos B7 Warriors.

Phatt vem para o VALORANT e deixa para trás uma extensa carreira no Overwatch, com um Campeonato de Portugal seguido de várias internacionalizações na Overwatch Contenders. Vindo desta comunidade, faz parte de um grupo de jogadores que recebem pouco destaque português - nunca houve um outlet dedicado ao jogo.

Fomos ter com Phatt para falar sobre si, a equipa dos B7 e o VALORANT à larga nesta fase jovem do jogo. Esta entrevista foi conduzida dia 25 de setembro, anterior ao Patch 1.09 que fez alterações a vários Agents discutidos baixo.



Phatt no mundial de Overwatch em 2017. (Foto por Overwatch)


Fraglíder: Olá, Phatt! Certamente já criaste e estás a criar a tua reputação no VALORANT mas tens muitas horas postas no Overwatch. De onde vem esta transição?

Phatt: Olá Eutalyx! Antes de mais nada obrigado pelo convite para a entrevista. A transição deve-se a vários fatores. Principalmente, eu deixei de acreditar no sistema T2 do Overwatch, o "Path to Pro" e a COVID-19.

Com a vinda da pandemia, eu não consegui adquirir o meu P1 VISA, o que impossibilitava a minha ida para os EUA, o que significava, na altura, que não conseguia ir para a OWL. A partir de abril, se não me engano, comecei a jogar a Closed Beta do VALORANT. Pedi para sair [da Uprising Academy] poucos dias depois da Closed Beta começar.

Fraglíder: Então estavas mesmo convencido que isto viria a dar frutos?

Phatt: Hm, sim - mas ao mesmo tempo, se eu não gostasse do VALORANT, uma coisa eu tinha a certeza, não queria continuar nos Uprising Academy. Deixei sempre como uma possível opção voltar ao OW, daí só ter sido anunciado o meu retirement passados uns dias de eu já ter experimentado o VALORANT. Como é óbvio, eu gostei bastante do jogo.

Fraglíder: Como tu e alguns dos teus colegas são ex-jogadores de Overwatch estão certamente habituados a usar habilidades para complementar a gunplay. No VALORANT há um foco maior nas armas do que nas habilidades e a Riot quer as habilidades como um potencializador de jogadas, ainda que haja polémica à volta do que isso *realmente* quer dizer. Será errado dizer que a adaptação de um jogo para outro foi simples?

Phatt: Não foi simples de todo. Embora todos nós já tivéssemos jogado um pouco de CSGO, a um nível casual, aprender as mecânicas todas do CSGO foi, e tem sido, um grande desafio - vamos melhorando todos os dias. No que toca a habilidades - é como jogar em casa para nós!

Fraglíder: As constantes tentativas de equilíbrio pela Riot já deram vários buffs à Viper, com mais por vir. Como é que encaras o papel da Viper de momento? Haverá alguma composição onde ela funciona sem questões? Certamente é impopular em Portugal.

Phatt: A Viper precisa de encontrar o seu espaço no jogo - tudo o que ela faz, há agentes que o fazem melhor. De momento ela não é "must have" em nenhum mapa nem composição - há certas equipas que a utilizam no Split. Nós próprios já o fizemos, até antes dos últimos buffs.

Fraglíder: Achas que a meta pesa muito para algum lado e/ou composição de momento, tendo em conta os nerfs recentes à Sage e os buffs ao Breach?

Phatt: A meta tem vindo a ser muito orientada pela Jett e a Operator. Recentemente, com os buffs no Breach, o mesmo tem vindo a ditar grande parte das estratégias e setups das equipas. Embora na minha opinião o Breach seja muito opressivo em momentos, talvez seja um mal necessário para dar counter à Jett.

Fraglíder: Tens uma posição definida quanto à meta de Jett e Operator? As redes sociais estão cheias de queixas e pedidos de nerfs/mudanças.

Phatt: Eu acho que a arma em si é bastante equilibrada - percebo o porquê de o pessoal pedir nerfs, tais como adicionar um barulho quando fazem scope com a arma - mas não acho que isso vá resolver o maior problema, que é a Jett poder arriscar certos ângulos mais agressivos ou fazer "jump peak" tendo sempre uma habilidade [Tailwind] que lhe garante que o adversário não consegue fazer a trade.

Ou, mesmo que ela falhe o tiro, não leva punish por isso. A Reyna é um bom exemplo de algo mais balanceado - se a Reyna falhar o tiro morre, se matar pode utilizar o Dismiss para sair.

Fraglíder: Ou seja, nerfs focados na Jett e no seu Tailwind, principalmente? Tenho ouvido também algumas queixas relativas ao seu Ultimate.

Phatt: Sim, e algo que também merece nerf é o tempo que demoras a ser 100% accurate depois de um salto ou quando aterras. Devia demorar mais a ser accurate! O Ultimate na minha opinião é balanceado - é bastante difícil de utilizar e na minha opinião o right click já tem RNG suficiente. [risos]



 A ansiedade para voltar aos palcos é grande. (Foto por Overwatch)


Fraglíder: Estamos de acordo então [risos]. Para fechar o tópico de personagens - vocês, oriundos do Overwatch, estavam habituados a papeis meio rígidos com os tanks, healers, entre outros. No VALORANT qualquer agente faz qualquer coisa, independentemente do papel. Essa adaptação causou-vos algum desconforto ou mais ao contrário?

Phatt: Foi bastante smooth. Embora, como disseste, qualquer agente pode fazer qualquer coisa, foi mais fácil para nós perceber quais eram melhores para fazer determinadas funções.

Fraglíder: Passemos então a ti como jogador e a vocês como equipa. Eras conhecido por ser Support no Overwatch e esse role meio que te perseguiu para o VALORANT, onde és visto comumente de Cypher e de Sage. Encaixaste neste role por causa da confiança e experiência ou há algum outro motivo?

Phatt: Eu desde a Closed Beta que sempre adorei o Cypher. Acho que a minha experiência de lidar com habilidades me facilita a inventar setups e one-ways com o Cypher, e sei que também tenho a paciência para passar horas em Custom Games a inventar coisas, o que me vai dar aquela vantagem. Mais tarde passei para Sage porque a equipa precisava mesmo, porque se não tinha jogado sempre de Cypher.

Fraglíder: A vossa equipa vem de vários cenários - o vosso core é conhecido pela presença no cenário nacional e internacional de Overwatch. Têm o LionClaw do Crossfire e recentemente adicionaram o starkk como quinto. Obviamente já havia grandes ligações entre tu, o Mowzassa e o Addicted mas de onde vem o contacto com os vossos dois outros membros, sobretudo o LionClaw?

Phatt: Nós no fim da Closed Beta decidimos fazer uma equipa mais séria depois de ter andado a jogar alguns torneios mais como mix em Portugal. Fizemos Open Trials e o LionClaw simplesmente entrou em contacto connosco quando viu no Twitter que estávamos à procura de jogadores.

Fraglíder: O contacto com o starkk veio, assumo, dos jogos contra eles?

Phatt: Sim, exato. O LionClaw também já tinha jogado um bocado com ele na Closed Beta e sugeriu também que lhe déssemos trial

Fraglíder: Pessoalmente, a saída do ForYou da equipa foi muito inesperada - era normal vê-lo no topo das tabelas e a fazer grandes jogadas. O tweet de anúncio do ForYou aquando da saída não cita motivos (nem o dos B7) e mostra-o um bocado… descontente/não há espera disto. Queres comentar sobre isso?

Phatt: Não há nada de especial para comentar. A equipa tomou a decisão de tirar o ForYou - não pelas suas capacidades individuais - mas porque não encaixava na equipa.

Fraglíder: Passando ao panorama dos esports de VALORANT em geral. Todos já reparamos que as organizações do topo europeu ainda estão muito hesitantes sobre o jogo. O Diretor de Equipas dos Fnatic [sem equipa] disse que pessoalmente falou com mais de 70 jogadores, mas cita a pandemia como um problema.

Em Portugal não há organizações de alto perfil no VALORANT. Achas que a pandemia seja realmente um problema para nós e/ou lá fora ou estará a ser feita de “bode expiatório”? Anos antes da pandemia já eram enviados contratos por email a jogadores portugueses e dentro de Portugal media days são relativamente simples, como a MLP mostrou no CS:GO, ainda que lá fora sejam mais complicados.

Phatt: Concordo a 100% que a pandemia tem sido um bocado bode expiatório porque a maior razão para a hesitação das grandes organizações é o facto de a Riot ainda não ter anunciado nada (na altura) sobre como os esports iriam funcionar no VALORANT.

Todas as organizações que queriam mesmo estar no VALORANT já cá estavam, as outras que estavam indecisas estavam certamente à espera de notícias. Mas não querendo subestimar a pandemia - é óbvio que não haver LANs, ser mais difícil viajar jogadores etc, desmotiva muitas organizações, especialmente em Portugal.



Para Phatt e muitos outros, o First Strike veio mudar os esports de VALORANT


Fraglíder: Então, pegando no assunto do funcionamento dos Esports, achas que o First Strike poderá mudar isso? A competição para os próximos 3 meses está definida e a Riot está a estudar tornar a competição um franchise, de acordo com Kasra Jafroodi, o Chefe de Estratégia Global de Esports no VALORANT.

Phatt: Sim, claro. Acho que isso vai ser mais apelativo. E há um grande factor que é - vão haver qualificadores abertos, o que vai permitir a equipas sem organização provarem-se e será mais fácil para estas organizações observarem. Muitos dos torneios da Ignition Series que houveram funcionaram por convites e talvez um qualificador com uma vaga... Muitas equipas boas ficavam de fora.

Fraglíder: O cenário de VALORANT português ainda se está a formar mas lentamente vão aparecendo mais torneios. A Inygon tem mantido a aposta com as Contract Cups, a CNDE já organizou o segundo Agents Showdown e a ROG VALORANT Master Series está aí à porta. Que fazes da aposta em Portugal? Demasiado cuidado por parte de TOs (excluindo E2Tech, obviamente) ou um ceticismo justificado?

Phatt: Eu como venho do Overwatch onde tínhamos basicamente uma LAN por ano (em Portugal claro) estou bastante satisfeito até agora. [risos] Mas lá está, quando houver condições para haver LANs acho que vamos ter mais e novas marcas a aparecer.

Fraglíder: Tal como todas as equipas, vocês estão aqui para estar no topo de Portugal. Mas quais são as vossas aspirações ibéricas e, por consequência, europeias?

Phatt: As nossas ambições vão muito além de Portugal ou Espanha, mas isso é a parte onde eu digo o cliché. Há que ter os pés bem assentes na terra e perceber o nosso valor para também não dar disband sempre que se perde nos torneios europeus. Eu pessoalmente gostava de conseguir alcançar um primeiro lugar em algum torneio europeu, tal como o fiz no Overwatch Contenders em 2019.

Fraglíder: Uma coisa pela qual a comunidade de CS:GO e Overwatch não são conhecidas é a criação de conteúdo por parte dos jogadores “fora do servidor”. Com esta mudança para o VALORANT vemos vários jogadores com conteúdo em stream, YouTube, etc… que não se via anteriormente. Têm algo nos vossos planos para isso e para entregar à comunidade algo mais que os vossos jogos?

Phatt: Sim! Mas poderá ser algo demorado. Eu gostava de fazer streams ocasionalmente mas o meu PC de momento não me permite... Em relação à equipa - acho que temos umas coisas planeadas, é andarem atentos!

Fraglíder: Alguns agradecimentos os palavras finais que queiras deixar?

Phatt: Sim, quero agradecer a toda a gente que me tem apoiado a mim e aos B7 durante estes meses e espero que o continuem a fazer! Os nossos resultados nos últimos 2 torneios não foram os desejados mas prometo que isso vai mudar já muito brevemente! E mais uma vez obrigado Eutalyx e à Fraglíder pela entrevista!

Fraglíder: Obrigado Phatt pelo tempo dispendido para conversarmos. Boa sorte nos vossos jogos!




 

Conteúdo de excelência para um público exigente.

Copyrighted material used under Fair Use/Fair Comment.

Criado em 1999 e com o objectivo de ser um projecto abrangente das comunidades e para as comunidades de jogadores, o Fraglíder tornou-se a maior e mais respeitada comunidade de eSports em Portugal.

Tendo sempre como objectivo apoiar as comunidades nacionais de jogos online, o Fraglíder recebeu como prémio do seu trabalho um lugar de destaque em Portugal, fruto da dedicação de muitos, que ajudaram a crescer a história do Fraglíder.

Facebook



Games don't make me violent, stupid people do !

Copyright © 2018 Fraglíder

Topo