Fotografia: Liga Portuguesa de Call of Duty

O início de fevereiro foi marcado por um episódio de racismo na Liga CoD Portugal. O adiamento de um jogo levou a uma troca de palavras que escalou e levou Gxshy, jogador da Tiger Esports a ser racista com Roberto “Pingacat” Junior.

Após o caso ter sido reportado, o FRAGlíder foi à procura de respostas para o que realmente aconteceu e quais as posições de todos os intervenientes acerca da situação que ocorreu no dia 2 de fevereiro.

O que levou aos insultos

Em conversa com um dos administradores da liga, este explicou que o jogo “correu mal de início ao fim”. Este já havia sido adiado por duas ocasiões e, à terceira, um novo atraso por parte da Tiger Esports originou toda esta situação.

A liga tinha as regras bem definidas e, neste caso específico, o atraso daria a vitória ao conjunto da OVERFRAG. Porém, no discord, uma discussão acessa entre Gxshy e o jogador da OVERFRAG levou a que fossem proferidos insultos racistas e xenófobos.

A situação decorreu já perto das 23:00 e, ainda assim, um dos administradores visou que entrou no Discord para falar com ambos os atletas envolvidos e explicar que algo deste género iria ter consequências.

Importa destacar que a liga não é profissional e, como tal, os seus representantes não conseguem disponibilizar 100% do seu tempo ao projeto. Contudo, a decisão terá sido tomada já no sábado, dia 3 de fevereiro.

A decisão da Liga CoD Portugal

No seguimento desta situação, naturalmente, Pedro “MAD P1GGY” Rodrigues, Manager da OVERFRAG, pediu esclarecimentos à liga e exigiu que fossem tomadas as devidas medidas perante um caso tão grave.

A organização da liga terá esclarecido que iria ser tomada uma decisão e que “seria comunicada assim que possível”. Ainda no sábado, já com tudo definido, segundo um dos administradores, este reuniu-se com o jogador lesado e o seu Manager para comunicar a decisão.

Ao que foi relatado, a chamada não terá durado muito tempo e, segundo a liga, Pedro “MAD P1GGY” Rodrigues não facilitou a conversa, tendo “exigido várias vezes que banisse o jogador e a equipa”.

Face a isto, o representante da liga referiu: “Não me foi permitido expor decisão sobre o caso de racismo contra o Pinga e não foi possível transmitir claramente a mensagem sobre qualquer um dos assuntos [o jogo e o caso de racismo]”. O mesmo referiu que, por compromissos, o manager terá abandonado a chamada sem ficar a saber a decisão.

No entanto, após a sua saída, a Liga CoD Portugal terá tentado procurar saber como se encontrava Roberto “Pingacat” Junior e, segundo a mesma, foi-lhe passada a informação de que Gxshy seria banido da competição e que isso seria comunicado no domingo.

“Esta decisão foi tomada com a maior celeridade possível tendo em conta a disponibilidade de todos os organizadores. A administração da liga rege-se por uma conduta anti-racismo e anti-incentivo ao ódio. Repugnamos todos os comportamentos nestes âmbitos e não nos identificamos com os mesmos”, esclareceu a organizadora da prova.

Manager da OVERFRAG tem outra visão do assunto

O representante da OVERFRAG tem uma visão diferente da situação. Em declarações ao nosso portal, o mesmo confirmou que a organização da liga comunicou-lhe que iria reunir para tomar uma posição sobre o assunto.

Porém, Pedro “MAD P1GGY” Rodrigues refere ainda o seguinte: “Eu perguntei qual ia ser a posição deles e eles não quiseram responder. Disseram que não queriam falar sobre isso e decidimos lançar o comunicado. Quando lançamos, saiu o comunicado deles.”

Atualmente, a OVERFRAG decidiu deixar de participar na Liga CoD Portugal pelo que aconteceu na resolução do problema. Já a equipa que a representava, mantém-se a participar na competição.

Criticamos a liga pela demora na tomada de decisão, não criticamos o trabalho que fazem na scene de CoD. A equipa de CoD continua a fazer parte da nossa casa e a ter todo o nosso apoio, só não nos representam na liga em questão. Nós enquanto organização tentamos afastar-nos o mais possível de tudo o que seja dramas e não procuramos de forma alguma capitalizar em cima disso, mas como condenamos veemente tais atos, preferimos não ter o nosso nome associado a esta competição”, esclareceu.

Para terminar, Pedro “MAD P1GGY” Rodrigues acredita que a liga deveria ter banido a Tiger Esports, uma vez que está é responsável pelo jogador que proferiu os insultos racistas.

Jogador alvo de racismo de bem com os dois lados

O FRAGlíder esteve também à conversa com Roberto “Pingacat” Junior que garantiu que desde o momento em que o episódio de racismo aconteceu teve sempre o apoio de um dos representantes da liga que lhe garantiu “estarem a avaliar a situação e que, entretanto, iriam reunir para decidir sobre o assunto”.

O jogador visou também que ainda antes da situação ter vindo a público – através do comunicado da sua organização – que sabia que estavam a ser tomadas medidas.

Roberto “Pingacat” Junior afirmou que está de bem com ambas as entidades. À OVERFRAG agradece por intervir por si, enquanto à organizadora deixa a nota de agradecimento pela decisão tomada. Quanto ao jogador que o insultou, referiu que este apenas lhe pediu desculpa através das redes sociais.